5 lições empreendedoras de um dos maiores fotógrafos brasileiros

5 lições empreendedoras de um dos maiores fotógrafos brasileiros

Empreendedores precisam de altas doses de inspiração para manter-se firmes. Hoje, a história motivadora que apresento não tem nada a ver com o universo digital, mas traz em sua essência valores fundamentais para quem que botar sua ideia na prática.

O foto documentarista brasileiro Sebastião Salgado é um dos ícones mundiais da fotografia. Começou a fotografar com quase 30 anos ao perceber que a fotografia poderia ir muito além de simplesmente registrar imagens. Aventurando-se com sua câmera pelo mundo e denunciando cenários de grande vulnerabilidade humana e natural, ele contaria histórias e sensibilizaria muita gente em prol de causas nobres.

A história de vida e carreira desse fotógrafo natural de Aimorés (MG) é um exemplo de perseverança que deveria inspirar todo empreendedor. Listo abaixo 5 valores que aprendi conhecendo um pouco de sua história e trabalho.

Ele não teve medo de arriscar

Antes de abraçar a fotografia como profissão, Sebastião Salgado já tinha pós-graduação em Economia pela USP, já havia se engajado em movimento contra a ditadura militar, emigrado para Paris, onde escreveu uma tese econômica, e trabalhado como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC), em Londres. Só com quase 30 anos é que ele descobriu sua verdadeira motivação fotográfica, durante viagens à trabalho para a África, as quais registrava com a máquina de sua esposa.

Salgado precisou ter coragem para mudar de carreira e trilhar um novo caminho, que apresentava incertezas, até pelo fato da fotografia ainda ser um ramo relativamente novo. Um empreendedor precisa dessa coragem de concentrar todas as suas ações em sua ideia, acreditar nela e, assim, romper as barreiras de sua zona de conforto.

Foto do projeto Êxodos – Sebastião Salgado
Foto do projeto Êxodos – Sebastião Salgado

Ele mostrou aquilo que nenhum outro fotógrafo havia mostrado

O ramo escolhido por Salgado não seria simples nem fácil. Ele até trabalhou em estúdios, fotografando retratos posados e ensaios de pessoas na Europa, mas seu dedo ansiava clicar outras realidades. Munido de sua câmera, ele viajou continentes e viveu em meio às mais diversas populações pobres e vulneráveis. Criou seu estilo, firmou-se como um foto documentarista e, com suas imagens, conscientizou o mundo sobre a situação dessas pessoas.

Saber inovar seu nicho de atividade é um grande trunfo na mão de um empreendedor visionário. Apresentar um produto ou serviço diferente e significativo, explorando facetas de negócio até então inéditas é um talento a ser desenvolvido. Não se contente com o óbvio.

Foto do projeto Trabalhadores em Serra Pelada – Sebastião Salgado
Foto do projeto Trabalhadores em Serra Pelada – Sebastião Salgado

Ele conheceu bem quem fotografou

Em cada projeto em que se debruçava, Salgado projetava toda sua dedicação. Alguns de seus trabalhos, como Outras Américas, Trabalhadores Rurais e Êxodos, levaram anos para serem concluídos. Esse era o tempo necessário para que conhecesse a fundo as pessoas que fotografaria e, especialmente, a vida que levavam.

Um empreendedor não precisa levar todo esse tempo para conhecer seu público, mas precisa ter essa mesma dedicação para entendê-lo de verdade. O planejamento de negócio deve conter detalhadamente quais serão os tipos de públicos que interagirão com seu negócio. Assim, conhecendo seu comportamento, seus esforços serão muito mais assertivos e recompensadores, para ambas as partes.

Foto do projeto Êxodos – Sebastião Salgado
Foto do projeto Êxodos – Sebastião Salgado

Ele escolheu gente apaixonada para acompanhá-lo

Sua esposa, a arquiteta Lélia Wanick Salgado, tem grande importância na obra do fotógrafo. Foi a câmera dela que Sebastião pegou “emprestada” para começar a fotografar. Quando a brincadeira ficou séria, Lélia firmou-se como autora dos projetos gráficos dos livros de Salgado, apoiando-o em todos os seus trabalhos.

Um empreendedor isolado não alça vôos tão altos. Cerque-se de pessoas que compartilhem do mesmo brilho de seus olhos.

Sebastião Salgado e a esposa Lélia no Instituto Terra, em Minas Gerais
Sebastião Salgado e a esposa Lélia no Instituto Terra, em Minas Gerais

Ele fez a diferença

Ao longo de sua vida, Sebastião não apenas denunciou a injustiça e a desigualdade, mas também contribuiu significativamente pra diversas organizações humanitárias.

Não seria possível para Salgado passar por onde passou e levar em si um pouco de cada lugar. Depois de tantos trabalhos denunciando a pobreza e a violência, sentiu que seria o momento de mudar de ares para revigorar-se. Voltou-se, então, a outra causa nobre, a natureza, lançando o projeto Gênesis com imagens de naturezas ainda intocadas pelo homem.

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De volta à Aimorés, sua terra natal, participou do processo de reflorestamento da fazenda de sua família, por iniciativa de sua esposa. Anos mais tarde, o lugar depredado havia voltado a ser floresta atlântica, dando origem ao Instituto Terra, organização que trabalha na reconstrução de ecossistemas na região do Vale do Rio Doce.

Sebastião Salgado, através de sua câmera, de seu olhar e de seu coração, contribuiu (e continua contribuindo) com diversas causas sociais e sustentáveis e fez a diferença.

Foto do projeto Gênesis – Sebastião Salgado
Foto do projeto Gênesis – Sebastião Salgado

Por fim, é essa profunda lição que fica: Um verdadeiro empreendedor deve ter em si a vontade primordial de melhorar a vida das pessoas com que interage.

Fontes: Biografia Sebastião Salgado – Wikipedia.
Documentário O Sal da Terra, de Wim WendersJuliano Ribeiro Salgado.

Texto publicado no Blog do Romero Rodrigues.

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