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O termo “Digital Dexterity” (na livre tradução “destreza digital”) pode parecer estranho ou novo, mas, na verdade, já foi bastante discutido. Em 2015, despertou grande interesse no Gartner Digital Workplace Summit, realizado em Orlando (EUA). Na visão do evento, o Digital Dexterity começou a evoluir na esteira de um ambiente de trabalho em transformação.

Portais, redes sociais corporativas, sistemas de gestão de conteúdo, Nuvem, aplicativos móveis orientados por voz e muito mais vêm desenhando um ambiente corporativo digital, em um movimento natural de empresa e de colaboradores (usuários digitais), inseridos em um mundo conectado e móvel.

Mas essa arquitetura caminhou para um objetivo maior: a Digital Dexterity. Segundo o instituto de pesquisas global Gartner, para chegar lá, a empresa tem de ser ágil e contar com pessoas capacitadas para lidar eficazmente com “trabalho dinâmico e não rotineiro”.

No início de outubro, o termo Digital Dexterity ressurgiu com força em mais um evento da companhia do qual participei, o Gartner Symposium /ITxpo 2017, também em Orlando (EUA). As apresentações enfatizaram que o principal papel das pessoas na transformação digital é ajudar as organizações a alcançarem a destreza digital e competir efetivamente.

No entanto, para isso, é necessário compor times que tenham destreza digital – profissionais colaborativos, ágeis, analíticos, inovadores e criativos. “Pessoas com capacidade e desejo de explorar tecnologias existentes e emergentes para obter melhores resultados comerciais“, disse a analista do Gartner Tina Nunno.

Mas o que significa destreza digital?

Segundo o Gartner, é uma estratégia de negócios projetada para incentivar a agilidade e o engajamento da força de trabalho, promovendo a autonomia dos colaboradores e construindo um ambiente de trabalho consolidado. Nesse cenário, os líderes digitais devem avaliar a destreza digital de sua organização para implementar uma estratégia com o objetivo de atrair a melhor combinação de talentos.

A Digital Dexterity, portanto, não é um jargão interessante e curioso – é o pilar de um moderno ambiente de trabalho digital. Sendo assim, é altamente estratégico construir um ambiente corporativo flexível e ágil, que abrigue força de trabalho flexível e igualmente ágil para o sucesso da organização.

Muito além do digital

A estratégia de construção do digital nas empresas envolve variadas análises para que a transformação aconteça de maneira clara e efetiva, alinhada à evolução e à cultura do negócio. Mas, sem dúvida, a Digital Dexterity é um grande aditivo para a criação de uma nova cultura, que deve residir em um novo design organizacional, contemplando um mix de talentos.

É preciso mudar internamente para mudar externamente. A cultura de Digital Dexterity, segundo o Gartner, deve ser sustentada por três blocos nessa construção: tecnologia, engajamento e diversidade.

Para se tornar uma empresa digital, é vital ter capacidade para usar com assertividade a tecnologia e habilidade para criar valor por meio dela. Dominar a tecnologia não terá valor algum se a sua aplicação não estiver alinhada aos objetivos do negócio. Empresas que investem fortemente em tecnologia e na organização do seu desenho de atuação estão mais preparadas para superar seus competidores.

Mas entendo que a “destreza” é chave e deve existir independentemente da tecnologia porque é uma questão de perspicácia, talento para pensar além do lugar comum, agilidade, capacitação e inteligência coletiva. Assim, certamente, o digital pode ficar mais simples.

Howard Schultz: esse nome pode não ser tão familiar para você, mas o logo verde da sereia de cauda dupla certamente já apareceu em algum lugar. É o símbolo da Starbucks: cafeteria mundialmente conhecida, que conta atualmente com mais de 20 mil lojas.

Schultz passou a fazer parte da empresa em 1982, quando havia uma única sede em Seattle. Um ano depois, em visita à Itália, apaixonou-se pelo modo como o café era vendido como uma experiência e não apenas um produto – e resolveu levar o conceito adiante com a Starbucks, da qual acabou se tornando CEO.

Com o sucesso conquistado e certo de que isso se deve à maneira como a marca se relaciona com os consumidores, ele atualmente participa de diversas palestras e entrevistas compartilhando o que aprendeu em sua trajetória de empreendedor – inclusive a máxima que intitula o post: “escute com empatia e comunique com transparência”. Mas o que isso significa?

As necessidades estão nos detalhes

A primeira questão que podemos refletir a partir da frase é a importância de conhecer e entender o seu público-alvo. Escutar com empatia significa ouvir o que o seu cliente tem a dizer e, principalmente, se colocar no lugar dele. As pessoas têm uma grande facilidade de falar a respeito do que querem, mas a sua estratégia de marketing precisa ir além e saber do que elas de fato precisam.

Portanto, deixe sempre aberto o espaço para que seus consumidores se expressem: seja diretamente pedindo feedback, convidando-os a prestar depoimentos ou mesmo comentar em sua página no Facebook. Depois, saiba ouvir e identificar na fala deles as suas necessidades diárias. O desafio será adaptar o seu serviço ou produto a elas, mas vale a pena.

Relacionamento é relacionamento

A segunda parte da citação, “comunique com transparência”, tem a ver com o outro lado desse diálogo – o que a sua empresa está dizendo para as pessoas. Schultz reforça que é preciso agir sempre com honestidade: fazer publicidade de acordo com o que você realmente oferece, informar a respeito de eventuais erros, lidar com os seus funcionários de forma sincera e responsabilizar-se por tudo o que acontece no pequeno universo sob seu domínio.

Afinal, nesse sentido, relacionar-se com sua equipe ou seu cliente é como fazer parte de qualquer outro tipo de relação, seja familiar, amigável ou amorosa: requer falar a verdade, expor as situações da forma como elas são e não tentar “maquiar” a realidade. Posicione sua marca (e também a si mesmo como líder) da maneira mais clara, transparente e confiável que puder. Isso é fundamental para conquistar credibilidade e confiança.

Construa a sua própria cultura

Por fim, podemos considerar esses dois valores – empatia e transparência – como pilares da cultura da Starbucks, já que sempre devem ser levados em conta no dia a dia de trabalho e estão de acordo com a missão da empresa:

“Inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara de café e uma comunidade de cada vez.”

Definir esses core values logo no momento de estruturação do seu negócio faz com que todos os membros dele tenham uma base a seguir, uma orientação a considerar no momento de agir e tomar decisões. Isso garante que, por toda a existência da marca, ela siga seu propósito maior e tenha coerência com o que você acredita. E esse quadro é essencial para qualquer sucesso ou realização pessoal e profissional.

Publicado anteriormente no Blog da Nuvem Shop.

Meus parabéns, você fracassou. Sem ironias, é exatamente isso que eu quero dizer. Se a sua ideia não vingou, mesmo com criatividade, originalidade, ineditismo e várias outras características positivas, parabéns. Essa experiência mostra que você experimentou e resolveu testar um caminho novo. Você saiu do modo de segurança que travava suas ideias para mergulhar no mundo da inovação. Resumindo: você aprendeu. Como não te dar os parabéns?

A Cultura do FracassoNo Brasil, o fracasso é uma palavra pesada, pois representa incapacidade, incompetência, amadorismo. É uma palavra pesada: “Fulano fracassou”. Isso gera medo e, quando você tem medo de tentar algo, pois não quer fracassar, você entra num estado defensivo. Você deixa de pensar no estratégico e passa a pensar só no tático, e o tático é o instinto de sobrevivência, o agora em detrimento do futuro.

Conclusão: você não inova, não experimenta, não descobre novas oportunidades.

Nos EUA, por exemplo, é muito comum compartilhar os fracassos com os outros. As pessoas contam os fracassos como se fossem glórias. E de fato são – afinal, eles arriscaram e tentaram. Por isso, é muito importante que as empresas criem um espaço para que as pessoas possam testar e falhar. Não adianta tirar conclusões, realizar estudos variados se vocês, de fato, não tentar na prática.

Já falei em uma entrevista para a revista Exame sobre a “Cultura do Fracasso, que é algo que fazemos dentro do Buscapé. Sempre tento provocar essas experiências com meus colaboradores. Uma vez, pedi para um gerente de produto: “Quero que o botão de compra fique piscando na tela, em vermelho”. Ele achou um absurdo, não concordou, não era a linguagem do Buscapé. A única coisa que pedi para ele foi: “me prove que estou errado”. A gente consegue medir se o botão vai ajudar a vender mais ou vai ser um total fracasso e vai fazer a gente perder vendas. Mas, a ideia de testar precisa vir de alguém. Em um negócio como o Buscapé, no qual o processo é 100% intelectual, você precisa inovar para crescer. E para inovar, é preciso estar disposto à fracassar.

Nós, empreendedores e gestores, é que precisamos entender que esse colaborador é que precisa ser valorizado e incentivado, e não aquele que fica estático por causa do medo de errar. Precisamos entender que a dor de fazer uma decisão ruim nunca deve ser maior do que o prazer de tomar uma boa escolha. Precisamos cultivar a Cultura do Fracasso.

Para dar tranquilidade para seu time arriscar, é preciso criar um ambiente propício a isso. Desde a cultura corporativa até os controles e medições são cruciais para isso. São esses controles serão usados para a medição do resultado e para mitigar que o fracasso cause um grande prejuízo. (vou falar mais disso em outro post).

Essa é a grande dica, não só para gestores, mas também para quem está prestes a começar um negócio novo, mas ainda está inseguro de se lançar. É natural que isso aconteça. Nesse momento, passam pela cabeça diversas preocupações e infinitas possibilidades para uma tragédia mercadológica. E por consequência vem o pavor com as incertezas do futuro e você vai pendendo cada vez mais para o lado da segurança.

Por isso, permita-se fracassar. Fracasse até acertar. Fracasse rumo ao sucesso!

Texto do Romero Rodrigues – CEO/Fundador do Buscapé Company.