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FairSearch

Desde que o Google resolveu se tornar uma página de destino e não apenas um buscador, muitos sites perderam acessos. A gigante de buscas passou a ser acusada de favorecer nos resultados de buscas seus próprios serviços, deixando de lado os rivais.

A nova estratégia da gigante tinha um objetivo: ganhar mais dinheiro. O Google vive de publicidade e quanto mais tempo o usuário passa em suas páginas, mais a empresa ganha. Portanto, direcionar internautas para serviços concorrentes não era um bom negócio.

Aqui no Brasil, o Buscapé sentiu os impactos desta mudança. O Google Shopping, comparador de preços da gigante, ‘roubou’ internautas da empresa nacional – líder de mercado há 15 anos. O buscador, que antes era a porta de entrada para o site, passou a ser o principal rival da brasileira.

Buscapé entra na luta por concorrência limpaPara lutar contra a concorrência desleal, o Buscapé se uniu ao FairSearch, grupo que tem como principal objetivo ajustar o sistema de buscas do Google de modo que todos os sites indexados tenham as mesmas condições para competir. A equipe, que conta com apoio da Microsoft, Oracle, Nokia, entre outras, é mantida pelos associados, e trabalha coletando informações que comprovem a distorção do cenário competitivo.

O FairSearch faz análises do impacto da mudança do algoritmo do Google na concorrência, usando dados anônimos das empresas associadas. Com os relatórios em mãos, o grupo aciona os órgãos responsáveis pela livre concorrência nos mercados prejudicados. No Brasil, o CADE já foi procurado algumas vezes, mas nunca tomou nenhuma atitude. O motivo, segundo Rodrigo Borer, vice-presidente de Comparison Shopping do Buscapé Company, é o despreparo. Para ele, o órgão regulador ainda não sabe lidar com questões que envolvam a internet.

A falta de filiados brasileiros também pode protelar as mudanças. Pequenas empresas nacionais prejudicadas pelo algoritmo do Google tem medo de comprar briga com a gigante e sofrer represálias. Borer comenta que o próprio Buscapé ponderou entrar no FairSearch e até chegou a conversar com o Google antes de tudo. Mas a equipe brasileira não pôde fazer nada pelo comparador. Ironicamente, o Buscapé é um dos maiores clientes do AdWords no país.

Leia também: Pela neutralidade nas buscas de internet por Romero Rodrigues

“Globalmente o Google é arrogante e não reconhece a legitimidade do pleito do FairSearch. Mas, na minha visão, a empresa tem tomado mais cuidado com suas ações porque sabe que os órgãos estão analisando de perto cada movimento. Na Europa, as investidas do grupo deram certo”, lembra.

Depois de muitas denúncias, a Comissão Europeia abriu um processo contra a gigante de buscas e ameçou multar a companhia em quase US$ 5 bilhões. Finalmente, o Google propôs concessões e nessa terça-feira, 1, o comissário responsável, Joaquin Almunia, aprovou as mudanças. Ele acredita que as alterações no sistema facilitarão a exibição de serviços concorrentes nas pesquisas.

Esta foi a primeira vitória do FairSearch que, de acordo com Borer, ainda tem um longo caminho pela frente, especialmente no Brasil. O mercado de internet muda o tempo todo, assim como o algoritmo do Google, o que dificulta a abordagem dos órgãos. Enquanto o CADE não se pronuncia, o Buscapé, como representante do segmento, continua alimentando o FairSearch para que o grupo pressione as entidades responsáveis.

“Vamos continuar lutando e evoluindo nossas pesquisas conforme a evolução do mercado. Queremos condições iguais para concorrer, queremos que o Google trate seus produtos da mesma forma como trata o nosso”, finalizou.

Publicação do Olhar Digital | Buscapé enfrenta Google por mais concorrência nas buscas