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Cada vez mais os processos relacionados à logística podem impactar substancialmente a gestão e estratégia das empresas. Sem uma logística que garanta a perfeita entrega de todos os pedidos, sua marca corre sério risco de fazer parte da lista dos principais sites de reclamações.

Os motivos são diversos, mas os principais e que são de grande importância para os consumidores, ficam por conta do descumprimento do prazo de entrega, pela mercadoria avariada ou mal empacotada e principalmente pela não entrega do produto.

Porém, o cenário nacional nos mostra que a logística e sua gestão é pouco funcional e causa um alto nível de gastos, principalmente na questão do transporte das mercadorias para as empresas. Ao comparar o cenário atual que vivemos, com outros países e regiões que se assemelham a nossa, conseguimos perceber o quão deficitária e carente de investimentos é a nossa estrutura.

Nos Estados Unidos, por exemplo, podemos perceber algumas divergências que acabam diferenciando muito o serviço nos dois países. Enquanto eles investem de forma mais uniforme entre os diversos modais logísticos, no Brasil o enfoque é apenas em um só modal.

Em termos de valores investidos e infraestrutura, de acordo com a ILOS, empresa de especialistas em logística e Supply Chain, o Brasil possui hoje 8,5 milhões km² em vias construídas para o transporte de mercadoria, sendo 210 mil km em rodovias pavimentadas, 29 mil km em ferrovias, 19 mil km em dutovias e 14 mil km em hidrovias. Já os Estados Unidos possuem 9,1 milhões km², sendo 4.375 milhões km em rodovias pavimentadas, 225 mil km em ferrovias, 2.225 milhões km em dutovias e 41 mil km em hidrovias.

O atual quadro da infraestrutura nacional de transportes é reflexo do baixo investimento realizado pelo governo que se sucederam no Brasil nos últimos 30 anos. O menor valor se deu no setor rodoviário pela facilidade de sua implementação, desconsiderando o alto custo para manutenção. Isso fez com que a logística nacional se tornasse dependente quase que em sua totalidade deste modal logístico. O segundo mais caro, perdendo apenas para o transporte aéreo.

Diferente nos EUA, os investimentos em áreas mais uniformes facilitam por completo a logística do país e garantem uma maior eficiência e uma redução de custo no serviço de frete de forma significante tanto para a empresa, quanto para os consumidores e o meio ambiente. Um exemplo de como a prática intermodal é vantajosa, pode ser notado no transporte rodo-ferroviário, onde o deslocamento ferroviário possui um custo consideravelmente menor que o rodoviário, mas ao mesmo tempo ele se limita às ferrovias, diferente do transporte rodoviário que é mais abrangente.

O que você precisa entender para melhorar a gestão logística da sua empresa é que a intermodalidade surgiu como uma oportunidade de inovação logística e modal rodoviário ainda predomina como principal meio de frete de cultura do país. Por isso, é preciso que as empresas invistam cada vez mais nesse setor e busquem oferecer um serviço diferenciado para se manterem competitivas no mercado, fidelizar cada vez mais seus clientes e manter a marca em evidência.

Atualmente, existem algumas prestadoras de serviços que oferecem soluções logísticas intermodais como oportunidade de inovação logística. Porém, são muito limitadas devido as questões infraestruturais e burocráticas do país, esse já é um assunto que não compete mais as empresas e sim ao governo, em parceria com iniciativa privada, que deve tomar algumas iniciativas a respeito da logística: Planejamento, Investimento e Burocracia.

Para ter uma ideia, a implementação dessas iniciativas estimula as empresas a expandirem suas soluções logísticas, gerando benefícios tanto para a prestadora de serviço quanto para seus clientes. Essa redução do custo reflete nos preços finais da compra, impulsiona a economia do país e estimula o consumo e a qualidade do serviço prestado.

Porém, enquanto essas melhorias não se concretizam, cabe aos empresários buscarem uma forma de gestão logística mais eficiente – e o mercado já oferece soluções para isso. Para minimizar as adversidades causadas pela nossa infraestrutura deficitária, a logística deve ser cuidadosamente planejada, buscando minimização dos custos e otimização de resultados, garantindo assim a competitividade da empresa no mercado.

Em setembro de 1979, o Governo Federal criou o Ministério da Desburocratização. Comandado por um Ministro Extraordinário, conforme o nome oficial do cargo, o órgão tinha a missão de reduzir a interferência governamental na “atividade do cidadão e do empresário e abreviar a solução dos casos em que essa interferência é necessária, mediante a descentralização das decisões, a simplificação do trabalho administrativo e a eliminação de formalidades e exigências cujo custo econômico ou social seja superior ao risco”.

Entre as medidas executadas pelo Ministério estão, por exemplo, o fim da exigência de atestados de vida, residência, dependência econômica, antecedentes, idoneidade moral e pobreza. Os documentos foram substituídos por declarações ou certidões, que eram expedidos de modo mais ágil. Além disso, eliminou o reconhecimento de firmas nos documentos pedidos pelas repartições federais, o que reduziu em até 50% o movimento nos cartórios, e criou o Juizado de Pequenas Causas.

Como se vê, houve alguns avanços importantes, embora seja visível que, 35 anos depois, o excesso de burocracia na administração pública ainda atormente a toda a sociedade.

Relembro aqui o Ministério da Desburocratização, que foi extinto em 1986, porque tenho pensado muito na contribuição que a tecnologia pode dar para o aperfeiçoamento da relação entre os governos e o cidadão. A gestão dos serviços públicos – de ordem tributária, administrativa, atendimento etc – precisa passar por um choque de inovação. De verdade, não só discurso.

Governo eletrônico

Antes de explicar melhor esse ponto, é preciso dizer que é inegável o avanço do Brasil nesse aspecto. Existem ótimos exemplos de utilização do digital nessa área, como a declaração de Imposto de Renda via Internet, licenciamento de veículos e pagamento de IPVA e o registro de Boletins de Ocorrência via web. Mas é preciso ir mais fundo.

A visão moderna de gestão pública passa diretamente pelo uso das novas tecnologias no aumento da interação entre Estado, cidadão e empresas. E isso não se resume à automação de processos e serviços pela Internet, mas abrange principalmente a transformação da maneira com que o Governo, por meio da tecnologia da informação, cumpre seu papel de Estado. Percebo que, nesse ponto, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Vamos analisar, por exemplo, o ambiente de negócios. É inconcebível que se demore tanto tempo para abrir uma empresa no Brasil. Além de lento, o processo é burocrático e custoso. Ainda que em algumas regiões seja possível abrir uma empresa em dez dias, essa não é a realidade do País inteiro.

Nessa jornada, o empresário precisa cumprir uma série de procedimentos e vencer várias etapas que envolvem diferentes níveis de governo sem que haja uma padronização de processos. Só para dar um exemplo, não há um cadastro nacional de Juntas Comerciais – cada Estado tem um. Diminuiria muito a burocracia se houvesse um cadastro único, pois assim não seria necessário repetir o mesmo procedimento em diferentes lugares.

Sistema kafkiano

A questão tributária é outro problema. Não apenas pela carga excessiva, mas também pelo emaranhado de normas e dispositivos, pela alma kafkiana que rege o sistema tributário brasileiro. As empresas precisam manter equipes e destinar dinheiro especificamente para decifrar os nós legais – recursos que, com processos simplificados, poderiam ser direcionados para a produção.

Agora vamos pensar nos microempreendedores individuais e nos profissionais liberais, aqueles que têm um CNPJ e emitem nota fiscal para seus trabalhos. A digitalização dos serviços contábeis seria de extrema valia para eles e para os contadores.

Num momento em que muito se discute como melhorar a competitividade da economia brasileira, é necessário estudar a fundo as diferentes soluções para reduzir a burocracia. E a tecnologia está aí para ajudar nesse processo. O mais importante, porém, não é a ferramenta. É mudar a mentalidade da gestão pública. O ambiente de negócios seria facilitado. E o empreendedor agradeceria.

Texto publicado no Blog do Romero Rodrigues