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São muitas as invenções que nasceram como resultado das duas primeiras guerras mundiais. A partir de necessidades que surgiram nos horrores dos campos de batalha, foram criados o zíper, o absorvente íntimo, o drone, o rádio sem fio, a quimioterapia e, vale lembrar, a própria estruturação da rede mundial de computadores que deu origem à Internet foi motivada pela Guerra Fria e a corrida espacial disputadas entre Estados Unidos e Rússia.

Aguçar a criatividade e buscar saídas em tempos de crise é da nossa natureza humana, do nosso instinto de sobrevivência. Em cenários macroeconômicos como o que o Brasil vem enfrentando, de juros estratosféricos e inflação em alta, fatores que impulsionam as taxas de desemprego e fecham as portas para o trabalho formal, é importante manter o radar ligado para oportunidades de inovar e empreender.

Os mais céticos dirão que perdi completamente o bom senso. Que não estou acompanhando os índices da economia e estou alienado ao que dizem os analistas. Que estou rasgando a cartilha mercantilista e esquecendo que não há como aquecer o consumo com taxas de financiamento inaceitáveis e preços em alta. Mesmo correndo todos estes riscos de ter minha sanidade questionada, acredito piamente que nunca tivemos um período tão propício para investir em startups digitais, especialmente as voltadas a consumo e crédito.

E é simples entender o porquê da minha crença se partirmos da premissa de que os alicerces da economia de mercado não são e nunca mais serão os mesmos. A economia compartilhada é apenas um dos fenômenos decorrentes da digitalização dos negócios. Em apenas 20 anos, a Internet foi disruptiva a ponto de não conseguirmos mais imaginar como seriam nossas vidas sem conexão, todo conforto e as inúmeras facilidades que a Web nos trouxe.

Mas o que me faz apostar na existência de um universo repleto de oportunidades para as startups apesar e por causa da crise é a velocidade ainda maior com que vem avançando a adoção dos smartphones como principal device para acessar a Internet. O grande mercado está no mobile.

A Internet foi apenas uma ponte para o que já estamos vendo e para os muitos negócios que ainda veremos surgir suportados por estratégias que associam plataformas móveis, geolocalização, indoor location e big data, entre outras tecnologias que ainda sequer foram inventadas.

A facilidade de pesquisar, comparar e contratar serviços ou produtos nas proximidades com os melhores preços ajudará a transformar rapidamente em hábito, estamos vendo como uma mudança de comportamento sem precedentes. É na esteira do mobile, e por que não dizer, da crise, que estão nascendo empresas inovadoras, disruptivas, capazes de fazer ruir negócios tradicionais que foram planejados para crescer em economias formais, reguladas e burocratas e, por isso mesmo, muito mais suscetíveis a turbulências.

Ao perderem fôlego, num momento de crise, para investir em marketing e inovação, estas grandes empresas abrem finalmente espaço para a adoção dos serviços inovadores das startups digitais, que não têm como principal meta nem receita, nem lucro, e sim a satisfação de seu usuário.

O ‘homo mobilis’ inverte a lógica do mercado pelo simples motivo de que, conectado a qualquer hora, em qualquer lugar e em tempo real, passa a ter acesso a um número muito maior de ofertas e de fornecedores. Com muito mais poder de negociação, só fechará negócio se julgar conveniente (o que não quer dizer que preço seja o único e mais importante fator de decisão).

Como líderes e pioneiros no serviço de comparação de preços, no Buscapé conquistamos um grande aumento da popularização do nosso serviço a cada nova crise, que se revertia em explosão de receitas logo após a passagem da tormenta. Hoje o consumidor já incorporou o hábito de fazer pesquisas de preços na Internet antes de sair às compras ou mesmo quando está dentro da loja em nosso aplicativo no celular. Só perde dinheiro e boas promoções quem quer.

A ‘tempestade perfeita’ formada pela atual crise está justamente na mudança comportamental do consumidor decorrente da explosão da mobilidade. As crises sempre promovem grandes mudanças de comportamento. Num ambiente aquecido economicamente, o consumidor tem mais resistência para mudar seus hábitos.

O empreendedor que souber aproveitar o momento e mirar nesta transição nos hábitos de consumo irá fazer uma saborosa limonada. As grandes empresas não estão preparadas para essa mudança. A verdade é que estas organizações sobrevivem, com suas ineficiências, da inércia de comportamento do consumidor. Já as startups utilizam este momento da evolução do ‘homo mobilis’ como catalizador para ganhar market share e share of mind.

E a transição para esta nova espécie humana é evidente. Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), revelou que quase 60% das residências brasileiras acessaram a Internet por celulares ou tablets em 2013. A GSMA prevê que a penetração de smartphones na América Latina chegará a 68% em 2020 (no Brasil alcançará 72%).

São números incontestáveis que mostram que em pouco tempo o smartphone com plano de dados estará nos bolsos de praticamente cada habitante do planeta. Em tempos de crise, é natural, empresas e consumidores ficam mais austeros. Assim, empreendedores que desenvolverem soluções mobile para ajudar na travessia da tormenta poderão criar startups digitais de sucesso.

Seguem alguns números da eMarketer sobre o mercado mobile na América Latina e no Brasil:

Latin America Home to 155.9 Million Smartphone Users - See more at: http://www.emarketer.com/Article/Latin-America-Home-1559-Million-Smartphone-Users/1012794#sthash.zPZUuP4f.dpuf
Latin America Home to 155.9 Million Smartphone Users

Há alguns segmentos que julgo bem promissores, como para startups ‘fintech’. Se antes não comparava as taxas do cheque especial e do cartão e não observava as tarifas dos serviços bancários, agora o consumidor ficará muito mais atento a quanto seu banco está cobrando e não abrirá mão de fazer pesquisas em apps de comparação de produtos financeiros e de buscar produtos alternativos que não sejam necessariamente oferecidos por uma instituição financeira tradicional.

Em última análise, basta lembrar que o primeiro celular também é a primeira ferramenta de trabalho de um microempreendedor, que precisa apenas de um meio para se comunicar e começar a atender clientes. Como o smartphone é seu único canal de acesso à Internet, tudo que o ajude a fazer a gestão do seu pequeno negócio deverá ter boa aceitação e escala, como apps de administração fiscal e tributária, apps de cotação e contratação de fretes e serviços de transporte ou apps para compra e venda de suprimentos.

A crise não discrimina ninguém. Mas a mesma onda que afoga alguns é a onda que dá impulso a outros, basta saber se posicionar bem. É hora de você, underdog, ganhar espaço em cima dos seus incumbents. Seja disruptivo como nunca antes: start it up!

Texto publicado no Blog do Romero.

Vale a pena separar um tempo para aprender com esta rica seleção de palestras do TED

Por Renata Leal. O fim do ano está aí e chegou aquele momento em que muita gente faz um balanço do ano e decide que chegou a hora de seguir o próprio caminho e abrir um negócio. Você está nessa?

Pois separamos 11 palestras inspiradoras no TED para quem quer empreender e – por que não? – também para quem já tem a própria empresa e quer um pouco de inspiração. As palestras listadas abaixo não têm uma ordem específica e nossa seleção pretende dar estímulos a todos os tipos de empreendedores.

De onde vêm as boas ideias?

Para começar, um compilado de cinco palestras com Steven Johnson, Elizabeth Gilbert, Derek Sivers, Matt Ridley e Seth Godin.

Johnson dá vários exemplos sobre a origem das ideias. Cita, por exemplo, por que os cafés são lugares importantes para observar as pessoas e como eles foram essenciais no passado, durante o Iluminismo. Ele também comenta como é fundamental ter um espaço favorável à inovação, com espaço para que as pessoas exponham suas ideias.

Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Rezar, Amar, é inspiradora principalmente para quem trabalha com atividades mais intelectuais, como na economia criativa. Ela conta sobre a insegurança de escrever outro livro depois de um que se tornou um best seller e fala sobre como lida com a inspiração.

Numa fala curta, de pouco mais de três minutos, Derek Sivers exemplifica como começar um movimento e mostra que não basta ter um líder. Para dar certo, é preciso existir seguidores – e o papel do primeiro seguidor é essencial.

Matt Ridley defende que as “ideias façam sexo”. Em outras palavras, ele acredita que o intercâmbio de ideias e o cérebro coletivo produzem um futuro melhor.

Em um vídeo já antigo, Seth Godin fala sobre como espalhar uma ideia. Segundo ele, uma ideia ruim ou até bizarra captura muito mais atenção do que uma normal.

Cameron Herold

Herold conta que nunca foi um bom aluno na escola e defende que é preciso ensinar as crianças a ser empreendedores desde pequenas. Elas devem saber que podem não seguir carreiras clássicas, como Medicina ou Engenharia, e que podem ser bem-sucedidas se tiverem um negócio.

A vida de Richard Branson a 30.000 pés

Um ícone no empreendedorismo, Branson fala sobre a importância de encontrar as pessoas certas para trabalhar num negócio e como inspirá-las, para que elas consigam chegar ao máximo de seu potencial.

Michael Porter

Porter fala sobre a relação entre os interesses sociais e os interesses das empresas e afirma que a principal forma de resolver problemas graves, como as mudanças climáticas e o acesso à água, é deixar que empresas tentem resolver o problema, em vez de delegar os temas ao poder público e a organizações não-governamentais sem fins lucrativos.

É uma reflexão importante para empreendedores que querem causar impacto social com seus negócios.

Andreas Raptopoulos

A ideia de Andreas Raptopoulos é usar drones (veículos aéreos não tripulados) para transportar coisas. Podem ser medicamentos, comida, vacinas etc, especialmente para áreas de difícil acesso.

Jeff Bezos, da Amazon, levantou a questão recentemente, ao afirmar que a Amazon vai começar a testar entregas com drones.

Elon Musk

Empreendedor experiente, Musk fala sobre como tornar viáveis produtos que usam fontes de energia alternativas, como os carros elétricos – que poderiam ser adotados em massa –, e os painéis solares, para uso principalmente em residências.

Musk acredita que nos próximos 20 anos a produção de energia solar será maior que a de qualquer outra fonte. E como todo empreendedor tem um quê de loucura, Musk fala também sobre a construção de foguetes.

Sheryl Sandberg

Esta palestra de Sheryl Sandberg ficou tão famosa que certamente alavancou as vendas de seu livro Faça Acontecer, lançado este ano. Sheryl fala sobre a baixa presença feminina em postos de liderança. Sua palestra é um grande estímulo para empreendedoras.

Juliana Rotich

Juliana é um dos novos rostos do empreendedorismo na África e lidera um projeto para ampliar e melhorar a qualidade do acesso à internet. Exemplo de empreendedorismo social.

Texto publicado no site da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Como fazer a equipe ter mais e melhores ideias. Criatividade e inovação têm sido dois pré-requisitos fundamentais para a sobrevivência de empresas no cenário atual. No entanto, nem todo o dia é dia de grandes ideias e inspirações.

Algumas técnicas podem ser alternativas rápidas, práticas e baratas para extrair o melhor da capacidade criativa das equipes. “São poucas organizações que usam de fato essas técnicas e isso ajuda a organizar a geração de ideias”, diz Valter Pieracciani, sócio-diretor da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, especialista em inovação.

1 Seis chapéus

Uma das práticas que mais impressiona é a técnica dos “Seis chapéus”. “Os gestores gostam muito dessa prática especialmente pela eficácia dela nas quatro direções da inovação [produtos, processo, gestão e inovação do modelo de negócios]”, diz Pieracciani.

Seis chapéus - Como fazer a equipe ter mais e melhores ideias

Criada por Edward de Bono, a técnica ajuda a desenvolver o chamado “pensamento paralelo”. Todos os envolvidos no processo são convidados a vestir os seis chapéus da criatividade em uma sequência lógica.

Primeiramente, vestem o branco, que avalia os dados e fatos da solução que precisa ser criada. Na sequência, o vermelho serve para lembrar das circunstâncias emocionais que envolverão a criação.

O chapéu preto é convidado para lembrar dos pontos negativos e obstáculos que podem ser enfrentados durante o percurso. O pessimismo é sobreposto pela luminosidade do chapéu amarelo, que deve sinalizar as oportunidades e os indicativos de prosperidade.

Por fim, o verde aponta para as possibilidades de expansão das ideias originais e o azul indica o planejamento tático da operação. “Todos deverão vestir todos os chapéus para pensarem juntos de forma mais completa”, afirma.

2 World Café

World Café - Como fazer a equipe ter mais e melhores ideiasO método World Café prevê diálogos colaborativos para compartilhamento do conhecimento e, assim, descobrir novas saídas para problemas da empresa.

Criada por Juanita Brown, a técnica preconiza uma espécie de “polinização cruzada”. Os funcionários são colocados em diversas mesas para debater temas relevantes para a empresa, como em um café.

De tempos em tempos, um dos componentes troca de mesa, de forma a compartilhar com os novos parceiros de café o que vinha sendo debatido pela sua mesa anterior. A cada nova rodada, o assunto ganha profundidade e abrangência.

3 Disney’s Storyboard

Disney's Storyboard - Como fazer a equipe ter mais e melhores ideiasO storyboard de Walt Disney era o local em que todos os desenhos eram reunidos e reordenados, para criação de uma sequencia lógica bem sucedida. Dentro da empresa, ele terá exatamente a mesma função: tornar mais fácil o planejamento e edição do desenho animado – no caso, do produto final. “Essa é uma ferramenta clássica para criar espaços futuros”, afirma Pieracciani.

Sob o título de assunto, os envolvidos fixam lembretes com os problemas e questões a se resolver.

Em “propósito” vêm os motivos que levam a equipe a explorar o assunto e, por fim, sob o cabeçalho miscelânea estarão papeis com todas outras possíveis ideias que não se encaixam em nenhuma das duas categorias, mas são relevantes e devem ser lembradas. Com ideias organizadas, a eficiência da estratégia é muito mais notável.

4 Mapa mental

O mapa mental talvez seja a mais simples das técnicas propostas pelo especialista. Mais conhecido por seu nome em inglês, o Mindmap foi elaborado por Tony Buzan, autoridade mundial em aprendizagem e utilização da capacidade mental. Até hoje a ferramenta, que revolucionou sua época, funciona muito bem na organização de ideias.

A partir de um único centro, todas as ideias e informações relacionadas são espalhadas pela folha. A principal vantagem dos mapas mentais está na simplicidade de execução e aplicabilidade da estratégia – em qualquer aspecto, seja tarefa profissional, atividade pessoal ou de lazer, é possível irradiar ideias de um centro comum.

Mapa mental - Como fazer a equipe ter mais e melhores ideias

4 técnicas para fazer a equipe ter mais (e melhores) ideias – Texto da Bárbara Ladeia, Publicado na Exame.