Uma entrevista de 1981 com Steve Jobs voltou a circular recentemente pelas redes sociais. Nela, o fundador da Apple fala sobre a iminente revolução tecnológica que os computadores pessoais e telefones celulares trariam para o mundo, e como a sua empresa se preparava para fazer parte disso.

Futurista para a época, a visão de Jobs sobre o impacto dessas tecnologias para a humanidade pode ser comparada a ideia de um varejo interligado às práticas de blockchain, metaverso e criptomoedas, que foram apontadas pela NRF 2022 Retail’s Big Show (que ocorreu de 15/01 a 18/01/2022), o maior evento do varejo do mundo, como as principais tendências para o setor.

O criptoverso e sua aplicação prática

Dentro e fora da feira, um dos maiores desafios dos varejistas é entender a aplicação prática do criptoverso em seus negócios. Especialistas reunidos na missão Varejo180 – iniciativa oferecida pela GS Ciência do Consumo com mais de 160 líderes do varejo brasileiro em Nova York – explicam que a experiência no metaverso demanda produtos e soluções pensadas para um ambiente de realidade virtual.

Em outras palavras, não basta replicar os produtos e soluções da vida real para o metaverso. Isso significa a possibilidade de vender tokens não-fungíveis (NFTs) de produtos pensados para um novo conceito de experiência e que serão negociados em criptomoedas, incorporando ainda mais os serviços financeiros ao dia a dia do varejo.

A Nike é uma das empresas que já embarcou no universo dos NFTs. Desde 2019, a gigante norte-americana tem patente para desenvolver modelos de sapatos exclusivos em NFTs, que darão ao usuário maior controle sobre os seus sapatos no metaverso. Será possível personalizar os calçados, definir o limite de cópias disponíveis no ambiente e até permitir que outras pessoas tomem conta dos seus sapatos. Tudo isso gerando muitos dados e personalizando ainda mais a relação dos consumidores com a marca.

A consolidação do phygital

Mas a importância que a realidade virtual promete ganhar para o consumo nos próximos anos não significa o fim da experiência nas lojas físicas. Pelo contrário, o phygital (combinação do físico e do digital) deve se consolidar no varejo pós-pandemia, a partir da inteligência de dados, com as lojas assumindo, cada vez mais, o papel de hipersegmentar sua comunicação para engajar consumidores com as marcas.

Na Europa, o setor deve avançar na transição entre publicidade paga (paid media) e geração de mídia orgânica (earned media) e as lojas físicas estão no centro dessa mudança. Segundo o especialista global em Shopper Insights e palestrante da missão Varejo180, Edward Nieuwland, a experiência dos usuários nas lojas é fundamental para a sustentabilidade dos pequenos varejistas, que obtêm margens melhores nas vendas nos pontos físicos na comparação com as vendas via e-commerce.

Entre os tantos desafios do varejo omnichannel, se adaptar a mais esse canal do criptoverso se tornará vital para aqueles que desejam estar à frente na disrupção. As grandes companhias do varejo nacional estão apostando nesse processo, mas a NRF 2022 demonstrou já no seu primeiro dia que existe um universo de possibilidades neste diálogo do digital com o físico, e o metaverso está batendo à porta para entrar de vez no cotidiano das marcas líderes.

Fonte: Meio & Mensagem

Author

Formado em Engenharia pela Escola de Engenharia Máua, pós-graduado em Marketing pela ESPM e com especialização em marketing para internet pela University of California, Irvine, atua no segmento de comércio eletrônico desde 1999. Passou pelos portais UOL e Terra, Mkteam e Escalena, onde atuou na implementação das lojas virtuais da Tim Brasil, Arno, Philco, TNG, Klueber do Brasil entre outras. Foi sócio-diretor da Universidade Buscapé Company e atualmente é Diretor responsável pelos treinamentos de E-commerce e Marketing Digital na Impacta Treinamentos.

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