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Mais do que lidar com números e fatos, um grande líder precisa saber lidar com pessoas.

Em mais de 10 anos de história, a Soap percebeu o que diferencia os líderes que engajam pessoas e as motivam para a ação, daqueles que meramente informam números e fatos que são esquecidos no dia seguinte a uma apresentação.

Extraí dessa experiência e da parceria com Robert Mckee que gerou o Seminário “Story: Business Edition”algumas dicas importantes para líderes que querem ser bons contadores de histórias em apresentações e reuniões de negócios

6 princípios que provam: liderar é saber contar histórias

1) Construa uma linha lógica viva.

A lógica é valorizada na comunicação corporativa. No entanto, os raciocínios lógicos mais comuns são estáticos a atemporais. Mais do que reunir argumentos em prol de uma conclusão, contar uma história é estabelecer uma relação de causa e efeito que opera no tempo, como a vida.

Compreender as coisas pela ligação de causa e efeito ajuda o líder a desenvolver uma visão ampla de como tudo está conectado dentro de um organismo vivo como uma companhia.

2) Antes de ser carismático, seja empático.

Um bom líder não tem apenas visão e boas ideias, e sim habilidades. As pessoas precisam enxergar no líder alguém capaz de dobrar as mangas e fazer o trabalho duro. Afinal, ele já fez no passado e pode fazer de novo, se preciso.

Contar histórias de quando se viu em situações difíceis e precisou dar uma virada ou fazer analogias de desafios da empresa com situações pessoais ajuda a criar empatia com a as pessoas, que vão se identificar com os mesmos sentimentos e criar conexões com suas próprias histórias.

3) Você não é o herói.

Protagonistas de filmes nem sempre são os heróis, mas sempre são pessoas com força de vontade e persistência para buscar seus objetivos. Em sua história, procure colocar como protagonista a sua audiência ou alguém importante para ela, como por exemplo, o cliente do seu cliente. Demonstre que você é alguém que pode ajudá-la a superar desafios e conquistar objetivos.

4) Abrace o conflito.

Apresentações corporativas se tornam monótonas quando o apresentador só quer mostrar o lado positivo das coisas, com objetivos sendo cumpridos tranquilamente, um após o outro. Conflitos são inerentes à nossa vida e estão presentes também no dia-a-dia corporativo.

Quando quer alinhar sua equipe em torno de um objetivo, o papel do líder é demonstrar que chegar a esse objetivo é viável, sim, e ao mesmo tempo não será fácil. Enxergar e expor com transparência as dinâmicas vivas de sucessos e fracassos, sem ocultar o lado negativo, aproxima as pessoas da verdade.

6 princípios que provam: liderar é saber contar histórias

5) Emoções existem, quer vocês as ame ou as odeie.

É comum que as emoções no ambiente de trabalho sejam associadas à irracionalidade. Mas não há nada de irracional nas emoções, que são simplesmente uma resposta natural do ser humano a mudanças.

Um bom líder deve escutar suas emoções, que servem como um guia especialmente em momentos críticos de decisão. Afinal, ao serem comunicadas, essas decisões trazem mudanças que irão gerar emoções na audiência. Boa parte das habilidades de um bom líder está relacionada à sua capacidade de gerenciar as emoções de seus liderados.

6) Tenha a história na cabeça.

Em uma apresentação, a principal ferramenta de um líder é ele mesmo. Sua postura, voz, gestos, olhar e segurança ao falar em público são os elementos essenciais para transmitir emoção, confiança e credibilidade à audiência. Slides, gráficos e bullet-points não possuem essa mesma capacidade.

Portanto, é fundamental a prática para que a história não esteja em uma tela, mas na cabeça de quem apresenta. Que o diga Steve Jobs, que treinava no mínimo 8 horas antes de apresentar um novo produto. Não por acaso, é um grande exemplo de líder empresarial.

Publicação do Olavo Oliveira para o Blog da Soap.

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?

Depois de alguns anos trabalhando com publicidade, e sempre ansioso pela próxima tendência que iria revolucionar tudo, comecei a perceber que, uma a uma, todas elas iam ficando pelo caminho. Isso e minha paixão por cinema me levaram a parar de correr atrás do próprio rabo e estudar melhor a essência da comunicação humana.

Há pelo menos quatro anos venho pesquisando bastante sobre como a arte de contar histórias pode ser aplicada para vender produtos, serviços e ideias, aproximando as pessoas das empresas. Em 2008 co-fundei o primeiro escritório brasileiro especializado em criar histórias ficcionais para empresas (os cases continuam no ar) e isso acabou gerando conhecimento prático e outros projetos legais.

De uns tempos para cá muitas pessoas têm se interessado por esse assunto, mas com a falta de boas referências e também por causa do buzz, acaba se falando muita besteira e se confundindo alhos com bugalhos. Por isso resolvi escrever um guia rápido para desmistificar conceitos e abrir portas para aqueles que queiram se aprofundar, ou pelo menos entender do que se trata. Vamos lá.

O que é Storytelling?

Storytelling pode ser definido de várias maneiras, mas a que importa nesse caso é que se trata de uma poderosa ferramenta para compartilhar conhecimento, utilizada pelo Homem muito antes do que qualquer mídia social. Para ser mais exato, há algo em torno de 30 a 100 mil anos, quando acredita-se que o Homo Sapiens Sapiens desenvolveu a linguagem.

Para entender essa ferramenta é preciso saber a diferença entre duas palavras da língua inglesa: “history” e “story”. A primeira está relacionado com fatos reais, como a queda do Império Romano ou alguma coisa que aconteceu na sua vida, rotina ou não. A segunda é uma estrutura narrativa, geralmente ligada à ficção, mas não necessariamente. Na língua portuguesa o correto é escrever “história” para ambos os casos, por isso, a partir de agora, entendam que sempre estarei me referindo à “story” ok?

Contar uma história é encadear eventos de maneira lógica, dentro de uma estrutura com certos padrões que, de forma muito resumida, são:

• Uma quebra de rotina. Histórias são sempre sobre eventos extraordinários. A não ser em “filmes de arte”, não há motivo para contar uma história sobre o cotidiano.
• Pelo menos um protagonista, que é o personagem com o qual as pessoas devem se identificar. Ele sempre deve estar buscando algo.
• Pelo menos um antagonista, que pode ser desde um super-vilão estereotipado até uma sociedade inteira, uma doença, o tempo etc. O importante é criar obstáculos para o protagonista.
• Conflito, ou seja, a tensão desse embate entre os elementos opostos. É isso que segura a atenção do público.
• Uma sequência de eventos com começo, meio e fim, passando por pelo menos um climax. O famoso “plot“, essencial para que a história faça sentido para as pessoas.

Por incrível que pareça essa estrutura narrativa é utilizada desde quando nossos ancentrais se sentavam em torno das fogueiras e contavam sobre caçadas. Dessa forma, além de entreter a tribo, eles conseguiam “viralizar” e perpetuar suas aventuras, onde estavam contidos conhecimentos necessários para sua sobrevivência, desde coisas práticas até expectativas da conduta dentro daquele grupo, passando por tentativas de explicar os mistérios da vida e do universo.

No melhor espírito “quem conta um conto aumenta um ponto”, essas histórias vão se modificando e daí nascem as mitologias, dando forma às culturas locais. Depois temos a invenção da literatura, teatro, cinema, quadrinhos, videogames e uma infinidade de meios e estilos cujos objetivos do ponto de vista da sociedade são exatamente os mesmo desde sempre.

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?

Se isso te interessa, aí vai uma dica: O Poder do Mito, série de entrevistas com o mitologista Joseph Campbell. Tem em livro ou DVD.

Po que utilizar Storytelling?

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?

Guardamos uma informação mais facilmente quando ela está envelopada nesse tipo de estrutura. O segredo está em atribuir significados emocionais à elementos técnicos por meio de um contexto. Se você assistiu O Náufrago, sua percepção sobre uma bola de vôlei da Wilson é completamente diferente da percepção de uma pessoa que não viu o filme, ou então em relação à uma bola tecnicamente idêntica, só que de outra marca.

Se você gosta de dados, o renomado psicólogo Jerome Bruner descobriu que um fato tem 20 vezes mais chance de ser lembrado se estiver ancorado em uma história. Em outras palavras, tendemos a achar que nossa memória funciona como um álbum de fotos, mas na verdade ela está mais para uma coleção de filmes. Se você gosta de neurociência, dá uma olhada nos neurônios espelhos.

Como posso utilizar Storytelling?

Há uma infinidade de formas, com maiores ou menores graus de dificuldade e eficiência. A mais básica seria pegar a história real da sua marca, ou seja lá o que estiver querendo vender, e reorganizar os fatos de forma que estejam dispostos em uma estrutura de história. Mais ou menos como um filme “baseado em histórias reais“. O problema é que nem sempre dá para garantir que a marca tenha uma “history” legal o bastante para render uma boa “story”. Teoricamente você pode fazer um filme baseado em qualquer coisa, mas daí para ser um sucesso de bilheteria é um gap enorme. Um filme sobre o Steve Jobs e a Apple provavelmente seria bom, mas no mundo corporativo isso é exceção.

Na outra ponta tem a ficção, que permite um controle muito maior dos personagens e do plot, aumentando as possibilidades de engajamento e também de desdobramentos. Dois exemplos de como isso pode ser feito:

•  Popeye, o herói marinheiro criado em 1929, originalmente não precisava comer espinafre para ganhar força. Esse elemento da história só foi introduzido algum tempo depois, quando houve as primeiras adaptações dos quadrinhos para o cinema. Dizem que isso teria sido um product placement de uma empresa de espinafre. Verdade ou não, o fato é que o desenho aumentou o consumo de espinafre nos EUA em 30% nos anos subsequentes, salvando esse segmento de uma crise.
• Coca-Cola Happiness Factory, famoso case da W+K, é um exemplo mais moderno de como um universo ficcional pode ser criado para uma marca. Trata-se um mundo que se passa dentro da vending machine, com personagens e regras próprias. Teria sido melhor ainda se o universo e personagens funcionassem suficientemente bem fora do ambiente de comunicação da Coca-Cola, por exemplo, sustentando um longa metragem ou uma série de quadrinhos. Não chegou lá, mas quase.
• No meio do caminho entre esses dois extremos, dá para, por exemplo, pegar carona com product placement em uma outra história.
• Nessa apresentação você pode encontrar outros exemplos.

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?

O que é Transmídia?

Não compre uma coisa antiga pelo preço de uma novidade, transmídia, no contexto do mercado publicitário, é só um termo repaginado para os antigos “comunicação 360º” ou “comunicação integrada”.

Já transmídia storytelling é contar uma história (“story”) por meio de diferentes mídias, tendo consciência de que cada uma exige uma narrativa específica e atinge públicos diferentes. O primeiro universo ficcional criado desde o início com esse propósito provavelmente foi o de Matrix, tendo a trilogia de filmes como o núcleo desse universo, e depois uma série de produtos que aprofundavam a história em outros meios, para uma parte mais engajada do público: animação, quadrinhos, videogame etc. Em cada um desses casos era contada uma outra parte da história, ligada ao núcleo, porém diferente dele.

É possível dizer que Star Wars foi a franquia que deu o pontapé inicial desse movimento, comercialmente falando, embora originalmente esse universo não tenha sido concebido para esse propósito.

Storytelling e Transmídia: afinal, o que é e para que serve?

No âmbito da comunicação de marcas, as técnicas de transmídia storytelling podem ser utilizadas para fazer uma amarração contextual mais elaborada e potencialmente mais engajadora entre as diferentes mídias de uma campanha. A própria Coca-Cola Happiness Factory é um exemplo disso. O problema é que se presta muita atenção nas mídias e novas tecnologias, mas esquecem que sem uma boa história o resto não funciona.

Publicação do Bruno Scartozzoni original do Update or Die!