• Avatar
  • por Fernando Coratella
  • Cursou eletrônica na UTN Buenos Aires – Argentina, empreendedor por natureza. Sempre dedicado a tecnologia na comercialização de computadores e partes, trabalhando para vários distribuidores de Miami, FL. Fez consultorias de importação e comercialização para empresas como Targus, BlackBerry (acessórios), Logitech e Belkin e diversos distribuidores da área de informática no Brasil. Participou na Startup de Distri em Latinoamerica nos anos 2011/2013 sendo responsável pelo Brasil. Começou na área de e-comerce no ano 2005 com suas próprias e depois fez a gestão das lojas virtuais da BlackBerryShop (oficial), Loja Targus (oficial), Loja Edifier (oficial), MercuryShop. Atualmente dedica-se a consultoria de e-commerce e se tornou um dos maiores especialista em marketplace (implantação e gestão).

O que a Netshoes pode ensinar aos lojistas de marketplace?

17 de julho de 2015
Share Button

Desde a chegada da Amazon no Brasil, os principais varejistas online brasileiros colocaram seus esforços em se tornarem marketplaces para centenas de lojas virtuais. Resultado? Muita loja virtual que enfrentava dificuldades em “fechar a conta”, viu suas vendas multiplicarem do dia para noite.
A ideia de uma loja virtual usar um varejista grande como canal de vendas não é nova, o que mudou foram alguns conceitos. A Netshoes é um grande “case” neste assunto pois viu o “milagre da multiplicação de pedidos” quando assumiu em 2008 a venda de calçados da Americanas.com.
Na época isso era feito em sistema de cross-docking. Para quem não está familiarizado com o termo trata-se de uma prática logística onde a Americanas.com vendia o tênis mas não possuía o produto em estoque. Um sistema de back office consultava o estoque da Netshoes e consolidava o pedido após a confirmação de pagamento. A Netshoes faturava e despachava o produto para a Americanas.com que por sua vez enviava ao consumidor.
Na época isso resolveu um grande problema da Americanas.com, que não queria trabalhar com um estoque de vestuário (que normalmente tem uma infinidade de SKUs) e desta maneira aumentava a “Cauda Longa” de seus produtos sem praticamente demandar investimentos.
Desnecessário dizer que isto foi fundamental para melhorar de forma significativa a “musculatura” da Netshoes que em 2007. Já havia tomado a decisão de se tornar “pure play” (varejista que só vende online) e já tinha fechado todas as suas lojas físicas.
Algumas lições muito interessantes podem ser tiradas dessa operação que foi um divisor de águas na vida da Netshoes. Embora pouco divulgada nos artigos relativos à empresa, acho muito válido o registro:

1- Derrubou o mito no Brasil que um varejista online não poderia ser parceiro de outro (estamos falando de 2008).
2- Conseguiu viabilizar economicamente e fiscalmente a revenda pela Americanas.com. Na época esse fato foi um grande “Ovo de Colombo”, pois muitas tentativas até então tinha falhado na hora de calcular a “margem líquida” que ficava na operação.
3- Os sistemas de ERP de ambas empresas estavam integrados e foi fundamental para viabilizar o cross-docking.
4- Conseguiu cadastrar milhares de SKUs no sistema da Americanas.com.
5- Estava preparada para ter um salto de demanda significativo, pois isso implicaria em aumentar seu estoque interno, ter equipe focada na operação da Americanas.com. Seja na gestão dos pedidos, marketing ou no atendimento ao consumidor.

Atualmente os sistemas de marketplaces já começam a ser integrados com as principais plataformas do mercado, o que de cara elimina uma grande barreira tecnológica que é a integração de estoques. Com relação a lucratividade da operação também está mais simples de resolver, uma vez que o varejista vai pegar a calculadora e ver se o percentual cobrado pelo marketplace fecha a conta.
Os dois grandes pontos a serem superados agora para que os marketplaces deslanchem como fez a operação da Netshoes e Americanas.com estão no cadastramento de produto e na eficiência do parceiro.
O cadastramento de produtos ainda é um grande gargalo dos principais marketplaces que para contornar o problema estão investindo em equipes e tecnologia para poder dar vazão aos produtos que chegam das lojas parceiras.
O outro ponto fundamental e que está relacionado com o último item citado é talvez o mais importante no atual momento, a eficiência da loja parceira.
Quando se entra num marketplace, é preciso já estar com a estrutura “redonda”. Tenho visto muito lojista iniciante achar que o marketplace é a “tábua da salvação” quando boa parte da sua operação ainda necessita resolver problemas internos.
Mas a eficiência não se trata apenas da capacidade operacional, o lojista precisa ter profissionais dedicados ao canal marketplace.  Quando a Netshoes fazia cross-docking, ela não tinha concorrentes nesta categoria, mas estava muito afinada com a equipe de marketing da americanas para promover seus produtos bem como resolver rapidamente problemas gerados no SAC que são crucias neste modelo.
Os marketplaces já perceberam o quanto é valioso um bom lojista e atribuem um pontuação atrelada ao desempenho nestes quesitos, é o caso do Walmart.
“Costumamos dizer que o lojista precisa ter principalmente duas coisas: estrutura e foco na operação. Estrutura para aguentar principalmente os picos de vendas que as ações de marketing proporcionam. E foco no marketplace para responder de forma ágil e com ofertas competitivas que realmente despertem a atenção do consumidor entre seus concorrentes no canal.” , afirma Gabriel Fernandes, Analista de Novos Negócios do canal de marketplace do Walmart.
Sem dúvida temos uma janela de oportunidade que dará novo fôlego para o e-commerce brasileiro. Que sente os efeitos da crise como qualquer varejo e a lição de casa é grande para marketplaces e lojistas, mas a exemplo do que ocorreu na Netshoes, valerá cada gota de suor.

Você também vai gostar

Prêmio E-bit 2013: As melhores lojas virtuais do Brasil Prêmio E-bit 2014. Todos os anos a E-bit, reconhecida como a mais respeitada fonte de informações do e-commerce, entrega o troféu Excelência em Qualid...
Um raio X do consumo do e-commerce em 2017 no Brasil A indústria online segue crescendo e o Brasil se consolida como um dos países mais desenvolvidos em termos de e-commerce. Uma pesquisa anual feita pel...
Quer cobrar quanto? Cinco dicas para desenvolver sua estratégia ... Em média, novos e-commerces acabam sendo abandonados ou encerrando suas atividades em apenas três meses, segundo levantamento realizado pela BigData C...
Marketing Digital: O dilema da qualidade versus preço na criação... Atualmente não dá mais para evitar, seja uma pequena ou média empresa, todo negócio precisa garantir sua presença na Internet. Se você não estiver lá ...
Boletim Fecomercio do Comércio Eletrônico – Fevereiro de 2... Boletim Fecomercio do Comércio Eletrônico. O Conselho de Interação e Comércio Eletrônico da FecomercioSP disponibilizou seu boletim mensal do Comércio...
Instagram ultrapassa Facebook em vendas via redes sociais Instagram  representa quase 70% das vendas via redes sociais no último trimestre de 2018 Estudo realizado pela Nuvem Shop mostra crescimento de 43% d...
Central de Relacionamento Online: Como tirar dúvidas de clientes... A evolução constante do e-commerce como um todo traz diariamente novos desafios para gestores e suas equipes – seja de caráter estratégico, operaciona...
Por que investir na automação de processos de monitoramento e au... Tornar os processos mais eficientes e garantir que os clientes executem suas atividades com segurança. Para que as empresas alcancem esses objetivos, ...
Calendário do e-commerce 2018: melhores datas para vender online... Você sabe dizer em que dia será a Black Friday em 2018? E o Dia do Consumidor? Conhecer e se planejar para as principais datas comemorativas...
6 problemas que devem fazer os visitantes deixar seu site Um dos objetivos do novo marketing é levar praticidade e não incomodar as pessoas. Mesmo assim, muitos sites ainda possuem elementos que não agradam a...

SEGREDOS DO E-COMMERCE

Receba as novidades toda semana

5 comentários sobre “O que a Netshoes pode ensinar aos lojistas de marketplace?”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar essas tags HTML e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>